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Família acusa hospital psiquiátrico de negligência em morte de paciente

Primas da vítima questionam o posicionamento da unidade médica.

“Ele não tem um arranhão no corpo. Só está machucado o pescoço, o nariz sangrando e a cabeça…. Eu acredito em duas hipóteses: se ele e fugiu e o encontraram, ele não foi bem acolhido. Tenho certeza de que o tratamento não foi o completo. Por que colocaram ele no chão como um indigente, um animal qualquer? Ninguém entrou em contato com a gente. Ninguém se pronunciou! Não recebemos apoio de nada”.

A declaração da prima do paciente que morreu depois de fugir do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira revela um sentimento de sofrimento e descrédito. Identificado como Elifran Ferreira Lira, de 36 anos, o comerciante morreu após se jogar de uma viatura em movimento, na Avenida Pedro II, no bairro da Torre, em João Pessoa.

Em entrevista à equipe do Programa Tambaú da Gente, da TV Tambaú, uma prima rapaz (que não quis se identificar), fez questionamentos diante do fato do corpo não ter sido periciado. “Que investigação é essa?”, apontou.

O Portal T5 listou os principais pontos declarados pela parente da vítima, bem como a resposta da direção do complexo hospitalar. Confira:

Como ficou sabendo do caso

“Fomos informados de que ele teria fugido do Juliano. Ficamos preocupados porque minha irmã visitou ele no dia anterior, e, ele tinha falado que estava bem, que estava com saudades da família, que queria ir pra casa… Após a fuga, pensamos que ele tinha ido pra rodoviária pedir uma passagem pra voltar pra o interior já que ele não é daqui”.

“Quando fomos para o Juliano, encontramos o corpo dele no chão, na entrada do hospital. O diretor me informou que ele teria fugido, que o pessoal tinha ido buscá-lo e no caminho ele teria ficado agressivo e pulado da van”.

“Apenas informaram que ele veio a óbito. Não falaram mais nada sobre o assunto. Informado que tinham acionado uma viatura da polícia pra saber do caso, mas, quando conversei com um policial, ele disse que isso não era verdade”, afirmou.

Paradeiro

“Após pegar o depoimento dos dois rapazes que estavam na van, fiquei sabendo que meu primo tinha ido até o Tribunal de Contas e que estava tranquilo. Também soubemos que pegaram ele e conseguiram trazer de volta”.

Contradição

“Na primeira vez, falaram que ele tinha morrido no local da queda. (depois que de ter pulado). Depois, falaram que ele tinha morrido na porta do hospital. A gente tá estranhando porque como é que uma pessoa cai de uma van em movimento na rua, se machuca, e, ele sem ter entendimento de nada estando com uma pessoa que invés de ligar pra o Samu pra ir atrás de um atendimento, traz ele pra o hospital psiquiátrico?”.

“Talvez se tivesse acionado o Samu ele estaria bem. Talvez ele não foi bem acolhido. E, outra coisa, por que ele estava no chão? Por que o médico não examinou ele na van e o deixou na van? Ou, quando ele tava internado lá não deixaram ele no local correto pra fazer o exame? Ele foi tratado como um indigente, um animal, como um qualquer. A gente quer resposta pra isso. O que realmente aconteceu?”, questionou.

Atenção do estado e investigação

“Estado nenhum e hospital nenhum entrou em contato com a gente. A única conversa que tive com o diretor foi essa (pra informar o óbito). Colocaram uma matéria dizendo que o estado se solidariza como a família… Não está! A gente não tem informação nenhuma deles”.

“Outra coisa, como é que um diretor liga pra polícia e diz que a perícia não precisa vir porque ele foi removido do local? Como é que o delegado não vai apurar os fatos do local e manda dois agentes irem lá apurar? Que investigação é essa? Como é que o IML remove o corpo do chão sem saber de nada? Eu acho que nem um bandido tem esse tratamento. Todos que tem um caso de ferimentos desse são socorridos pra um hospital. Mas, como é um trabalhador que nunca se envolveu com nada… Apenas teve um desequilíbrio causado por estresse… A gente tá sem saber de nada”, completou.

Respostas do Hospital

Também em entrevista à equipe do Programa Tambaú da Gente, da TV Tambaú o diretor do Complexo Psiquiátrico Juliano Moreira, Walter Freire, deu detalhes do caso. Questionado sobre a fuga, Walter respondeu:

“Entre os pacientes que temos aqui, a fuga não é algo recorrente, que acontece rotineiramente. Não somos um sistema prisional!”.

“Temos apoiadores que acompanham os pacientes no convívio social. Nesse momento, com um paciente de ideia de fuga acontece dos agentes o perderem de vista”, disse. “Quando existe uma fuga, ela é detectada pelos profissionais da unidade”.

Procedimentos pós fuga do paciente

“O paciente fez a fuga. Ela foi detectada e ele procurado. Através dos profissionais do Tribunal de Contas, ficamos sabendo que ele estava lá. A família também foi avisada que o paciente havia fugido. Foi assim que o localizamos. Ele estava calmo, e, aparentemente tranquilo”.

A queda

“Segundo o relato dos funcionários, após a queda ele não estava consciente”. “A princípio, os profissionais que foram buscá-lo, apenas foram pra procurar um paciente que havia fugido. A princípio, foi esse o movimento. Quando o paciente se jogou do carro, a ideia dos funcionários foi de prestar um atendimento imediato. Viram que o carro estava apenas a alguns minutos do Juliano Moreira e a ideia deles foi trazer logo pra cá visto a gravidade que avaliaram”.

Chegada no Juliano

“Quando a van chegou, eles tiraram o paciente da van. Ele estava sangrando. Quando a médica e outros profissionais foram examinar, identificaram que ele tinha entrado em óbito”, disse. “Foi uma atitude emergencial diante do quadro constatado. Por isso, colocaram ele imediatamente no chão”, completou.

Parentes

“Algumas primas dele chegaram aqui e eu que recebi. Eles não sabiam do óbito. Foi um fato muito triste pra mim. Recebi os familiares e demos as informações”. “Esclarecimentos mais minuciosos se darão após a perícia… Estamos solidários aos familiares… No momento da morte, inclusive, eu estava em uma reunião e tive que interrompê-la diante do quadro”, adiantou.

A forma como os apoiadores lidam com os pacientes

Questionado sobre um possível reposicionamento no trato dos profissionais com os pacientes, o diretor respondeu que: “Acho que estamos aqui pra, cada vez mais, buscar aprimorar e melhorar a qualidade do serviço prestado pelo hospital. Esses apoiadores são qualificados para saber lidar com o paciente. O paciente em crise, agitado, agressivo… Eles são habilitados pra saber a maneira de chegar no paciente sem machucar. Esse é o trabalho dos apoiadores aqui do hospital Juliano Moreira”, finalizou.

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Portal T5

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